O final de 2020 aproxima-se, o ano mais atípico de nossas vidas como sociedade (ao menos das últimas décadas). Tudo parecia tão normal lá em janeiro e fevereiro… as férias, a praia, a volta às aulas, os planos. Mas eis que de repente tudo mudou. Nos assustamos, nos afastamos, nos enclausuramos. Limpamos a casa, as mãos e as roupas obsessivamente. Cozinhamos, brincamos com os filhos, lemos, assistimos séries, fizemos exercício, usamos as redes sociais. E adotamos a máscara, incômoda; metáfora perfeita para a pandemia. Tivemos de forçar mais os olhos para expressar nossas emoções. E então cansamos. Negamos o problema. Nos reaproximamos. E nos assustamos de novo.

Fazíamos coisas para passar o tempo, até que nos demos conta de que era nossa vida que estava passando, e então tentamos voltar à normalidade. O que pensávamos ser um evento que duraria semanas, levou meses, e em breve completará um ano.

Nessa intensa jornada, alguns de nós desenvolveram transtornos psíquicos, outros adoeceram. Perdemos pessoas queridas e empregos. Adiamos sonhos. Nossa confortável fantasia de controle se foi, trazendo insegurança, especialmente por não sabermos quando esse episódio terá fim.

Apesar de tudo, seguimos, e aqui estamos. Ao olhar para trás, é bem provável que encontremos também momentos bonitos e inesquecíveis, lições valiosas aprendidas nesse período tão singular de nossas vidas. Talvez a maior delas tenha sido descobrir a importância de estarmos bem conosco mesmos, acima de tudo. Aquela velha instrução das máscaras de oxigênio no avião – primeiro você precisa estar estável para daí conseguir ajudar o outro – nunca fez tanto sentido.

E enquanto aguardamos a tão sonhada vacina, que carrega a promessa de devolver nossas vidas, resta-nos tentar elaborar este importante capítulo da nossa biografia. Se estiver difícil fazer isso sozinho, sempre é tempo de procurar ajuda.

 

Tamara Bischoff
Psicóloga – CRP 07/27054